Cemitério de escravizados apagou parte da história de Salvador com descarte de corpos negros em valas comuns

Foto: Reprodução

Cemitério de escravizados apagou parte da história de Salvador com descarte de corpos negros em valas comuns
Os primeiros vestígios de pessoas enterradas no cemitério de escravizados localizado no estacionamento da Pupileira, espaço de eventos no bairro de Nazaré, em Salvador, foram encontrados na sexta-feira (16). Os pequenos fragmentos são do século 19 e podem ajudar a localizar as pessoas enterradas no local.
A data escolhida para o início da escavação, em 14 de maio, está relacionada a execução de mártires da Revolta dos Malês, que aconteceu há 190 anos na capital baiana. A localização do cemitério foi descoberta durante uma pesquisa de doutorado desenvolvida por uma arquiteta na Universidade Federal da Bahia (Ufba).

No episódio 136 do podcast Eu te Explico, o apresentador Fernando Sodake trata da escavação que aconteceu quase dois séculos depois da revolta caracterizada como o maior levante de escravizados na Bahia. A rebelião reuniu cerca de 600 africanos, sendo a maioria de origem mulçumana. O nome "malê", inclusive, está relacionado a religião: significa "mulçumano" na língua iorubá.

Participam do episódio a pesquisadora, arquiteta e urbanista Silvana Olivieri, que identificou a localização do cemitério; e Jeanne Dias, arqueóloga e coordenadora do projeto que investigou a área.
Categoria: Matérias
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