A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar uma suspeita de terrorismo na colisão de um caminhão contra um posto da polícia na BR-060, no Recanto das Emas, região administrativa do Distrito Federal, na última madrugada. O caminhoneiro estava alcoolizado e, segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, informou que colidiu intencionalmente contra a estrutura da Unidade Operacional da PRF em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.
O homem foi preso pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). Segundo policiais que presenciaram a ação, o caminhão estava em alta velocidade quando atingiu barreiras plásticas, ultrapassou o bloqueio policial e avançou pelo acostamento. "Sem controle, o veículo passou sobre um quebra-molas e colidiu com viaturas da PRF que estavam estacionadas na área externa da unidade", informou a corporação.
— É um fato bastante preocupante... o autor, o motorista da carreta, disse que praticou um ato terrorista insurgindo-se contra o julgamento que está sendo realizado no STF. É um fato que preocupa as autoridades, mas está sendo investigado pela Polícia Federal, que já abriu um inquérito formal sobre essa questão — declarou Lewandowski nesta quarta.
A PRF destacou que o homem colocou em risco a vida de policiais rodoviários federais no local. Ao ser abordado, ele declarou que pretendia atingir a estrutura da PRF por motivações políticas.
"Submetido ao teste do etilômetro, foi constatado o índice de 0,95 mg/L (miligramas de álcool por litro de ar alveolar), valor quase três vezes superior ao que configura crime de trânsito", informou a polícia. O homem tentou, ainda, subornar os policiais, oferecendo dinheiro para ser liberado, segundo a PRF.
O motorista foi preso em flagrante pelos crimes de embriaguez ao volante, corrupção ativa e tentativa de homicídio, além da suspeita de terrorismo, e foi conduzido para a Polícia Federal.
Veremos quais foram as reais intenções desse motorista, se ele tinha alguma ligação externa, ou foi um ato praticado num momento de insensatez, qual foi a motivação — disse o ministro.
Ainda segundo Lewandowski, a PF e a PRF não preparam nenhum "esquema especial" de segurança devido ao julgamento no STF de Bolsonaro, que se tornou réu, junto a sete aliados, por uma suposta tentativa de golpe em 2022. O ministro complementou afirmando que as forças policiais federais "estão preparadas para qualquer emergência".
— Nós temos um sistema de inteligência muito avançado. Temos a PRF, a PF, nosso sistema penal federal que também tem seu sistema de inteligência. Estamos preparados para qualquer fato que venha a ocorrer.
Questionado acerca do julgamento, Lewandowski, ex-ministro do STF, disse que não pode mais "palpitar sobre fatos que ocorrem nos outros poderes", mas que a população deve "confiar no STF".
(STF) É integrado por juízes altamente preparados. Todos têm, pela Constituição, notável saber. Temos que ter confiança nas instituições e que a justiça será feita.
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