"No dia 14 de maio, eu saí por aí. Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir. Levando a senzala na alma, subi a favela. Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci", cantou o baiano Lazzo Matumbi na canção "14 de Maio", lançada em 2019. Composta por Lazzo e pelo professor Jorge Portugal, a letra reflete a realidade do povo negro que se viu "livre" após a assinatura da Lei Áurea no Brasil.
Exatos 138 anos após a determinação da lei que extinguiu a escravidão no país, as contradições das relações trabalhistas e da realidade dos descendentes dos africanos libertos persistem na modernidade.
Conforme o historiador Fábio Batista Pereira, mestre em História da África, da Diáspora e dos Povos Indígenas e estudioso do período pós-abolição, a lei assinada pela Princesa Isabel promoveu uma abolição incompleta.
Entre exemplos de relações trabalhistas que mantêm um cerne escravocrata no campo — e que persistem até a atualidade — está o sistema de meia-terra ou meação, em que a pessoa assume uma propriedade de terra, mas precisa produzir para pagar a permanência na propriedade.
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