Além do senador Jaques Wagner (PT), do bancário Augusto Ferreira Lima e do secretário do Meio Ambiente da Bahia (Sema) Eduardo Mendonça Sodré Martins, familiares deles também foram alvos da 9ª fase da "Operação Compliance Zero".
Deflagrada pela Polícia Federal (PF) na quinta-feira (18), a ação, que tem os três como principais investigados, apura um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio relacionado ao Banco Master.
A PF suspeita que Jaques Wagner atuou para favorecer Daniel Vorcaro, dono do conglomerado financeiro, com apoio dos demais suspeitos. Durante a ação, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal,foram apreendidos R$ 337 mil em um apartamento do senador, no Corredor da Vitória, em Salvador, nesta quinta-feira (18). Outros R$ 250 mil estavam em um hotel de Brasília, onde ele costuma ficar hospedado.
No entanto, em entrevista à BandNews, Wagner disse que esse dinheiro têm origem em diárias pagas pelo Senado em razão de viagens para o exterior que realiza como parlamentar.
Na apuração, Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Wagner, é apontado como a pessoa responsável por gerir, cobrar e receber pagamentos de Augusto Lima, com menção a boletos, notas fiscais e documentos. O bancário, por outro lado, é descrito pela operação como operador central ligado ao banco e elo entre dinheiro, empresas e o senador.
Entre os demais alvos, está o pai de Eduardo, Guilherme Henrique Sodré Martins, que é apontado como pessoa de confiança do senador. A investigação descreve a atuação dele como articulador entre o núcleo político e empresarial.
Também aparece na lista Luiz Antonio Lombardi. Ele é descrito como suspeito de ser laranja na compra de um apartamento, descrito pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), como uma das supostas vantagens recebidas por Wagner de Vorcaro. O imóvel fica em um condomínio de alto padrão localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador.
A prima do bancário baiano Augusto Lima, Andréa Lima Novaes, foi outra pessoa que teve endereço vistoriado por agentes nesta quinta-feira. Ela seria uma das peças do núcleo financeiro principal do suposto esquema.A apuração cita ainda Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo Sodré, e seu irmão, Patrich Toaldo Bonilha. No entanto, eles não foram alvos dos mandados de busca e apreensão.
Em nota, Wagner afirmou ser inocente e negou atuação em favor do Banco Master ou de outras instituições financeiras. (Leia posicionamento completo abaixo)
A equipe de reportagem procurou as assessorias de Eduardo, do Governo da Bahia e da Sema, mas não obteve retorno até a última atualização deste texto. Os demais citados não foram localizados.
Suposta atuação do enteado de Wagner
Segundo documentos que embasaram a operação, obtidos pelo blog da Andréia Sadi, a BN Financeira, empresa gerida por Eduardo Mendonça Sodré Martins, recebeu, em 17 de outubro de 2025, o montante de R$ 3,5 milhões da PKL One Participações S.A.
A organização é dirigida por Andréa Lima Novaes, apontada pela PF como prima de Augusto Ferreira Lima, gestor ligado ao Banco Master.
A PF afirma também que o repasse teria sido precedido por cobranças feitas por Eduardo Sodré a Augusto Ferreira Lima, que é gestor associado ao Banco Master e apontado como principal interlocutor privado do senador.
Em uma das mensagens citadas pela PF, enviada em 4 de setembro de 2025, Eduardo afirmou a Augusto: “Amanhã vence os boletos e são altos”.
A investigação também cita planilhas encontradas na apuração, que tinham registros de pagamentos a uma pessoa identificada como “Dudu”, apelido atribuído a Eduardo Sodré, em valores superiores a R$ 2,34 milhões.
Advogado especializado em Direito Ambiental, Eduardo Mendonça Sodré Martins é graduado pela Universidade Católica do Salvador e possui pós-graduação em Direito e Legislação Ambiental pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Ele integrou a Comissão de Meio Ambiente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) entre 2011 e 2018 e atuou como professor da Universidade Católica do Salvador, onde lecionou disciplinas ligadas ao Direito Ambiental, Urbanístico e aos Direitos Humanos e Ambientais.
Operação busca mais informações
Para os investigadores, a operação entre a PKL One e a BN Financeira é um dos pontos centrais do eixo financeiro da apuração. A PF busca verificar se o pagamento tinha lastro em serviços efetivamente prestados ou se serviu para dar aparência legal a repasses indevidos.
Eduardo Sodré é identificado nos documentos como enteado de Jaques Wagner, filho de Guilherme Henrique Sodré Martins e pessoa vinculada à BN Financeira. A empresa é descrita pela PF como “pessoa jurídica central no eixo dos pagamentos supostamente destinados ao núcleo familiar de Jaques Wagner”.
Os documentos não detalham, no trecho analisado, qual seria a função formal de Eduardo na BN Financeira, como eventual cargo ou participação societária. A vinculação apontada pela PF aparece associada ao papel atribuído a ele nas cobranças de pagamentos e à identificação da empresa como parte do núcleo familiar do senador.
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